O Preço da Preservação da Amazônia

Sairia até barato…dar um ponto final à devastação da floresta, conforme um estudo publicado na revista Science.

A preservação
da Amazônia tem um preço. Para evitar que a devastação
continue, é necessário compensar madeireiras, mineradoras e empresas
agropecuárias que avançam legalmente sobre a floresta. Também
é preciso indenizar ribeirinhos e índios, que retiram seu sustento
das matas. Por último, há que assegurar recursos para manter as
reservas já demarcadas. Quanto tudo isso custaria? Essa questão
é um dos temas da agenda da Conferência das Nações
Unidas sobre o Clima, que será realizada em Copenhague a partir desta semana.
Ela começou a ser respondida por um artigo publicado na última edição
da revista americana
Science. Assinado por dezoito pesquisadores de instituições
americanas e brasileiras, o trabalho estima o valor que deveria ser gasto para
pôr fim ao desmatamento em um prazo de dez anos. Sua conclusão: não
seria tão alto assim. No Brasil, ao fim do decênio, alcançaria
18 bilhões de dólares, no máximo. Por ano, o gasto equivale
a um quarto do que se destina ao Bolsa Família
.
E esse é o cenário
mais pessimista. Na sua versão mais otimista, a Amazônia brasileira
poderia ser salva em uma década com apenas 6,5 bilhões de dólares.


Revista Veja, Edição 2142 9 de dezembro de 2009;

Os
pesquisadores chegaram a esses números depois de analisar a economia, a
geo-grafia e a ecologia de cada porção da Amazônia nacional.
Sua primeira tarefa foi identificar as áreas dedicadas à mineração,
à pecuária e à soja. Em seguida, estimaram a taxa de retorno
desses negócios e os investimentos em logística passados e futuros.
Ao final, cruzaram essas informações com fotografias da floresta
tiradas por satélite. Para cada pixel da imagem, foi então atribuído
um valor de indenização, que está relacionado ao tipo de
atividade econômica desenvolvido naquele local e sua capacidade de emissão
de gás carbônico, responsável pelo efeito estufa. A reparação
financeira leva em conta, ainda, as perspectivas de cada região. Por isso,
o modelo determina uma remuneração maior para Mato Grosso e Pará,
estados nos quais a economia avançou mais – e sobre a mata.

A
ideia de gratificar pela conservação não é nova. O
governo do Amazonas já paga 50 reais por mês aos ribeirinhos que
não desmatam, mas essa quantia é inferior ao que se obtém
por uma única árvore. A maior virtude do trabalho da Science é, além de fornecer um preço total, atribuir uma compensação
justa para interromper a exploração da floresta. Mais: ele indica
os recursos necessários para resolver questões vitais como a conversão
da pecuária extensiva em intensiva. "Os outros países poluidores
têm de ajudar o Brasil a pagar pela preservação da Amazônia",

diz o ecólogo americano Daniel Nepstad, que coordenou o estudo.

Fonte: http://veja.abril.com.br/091209/sairia-ate-sabado-p-150.shtml

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