É preciso salvar também as cidades na Amazônia. Especial Veja.

Revista Veja, Especial Amazônia. Editora Abril, Ano 42 nº 2130. Setembro/09.
Mais de 70% do Povo da região vive em cidades e enfrenta problemas similares aos quem mora nas metrópoles do sudeste, só que na Amazônia eles são ainda piores. Página 39.
Para a maioria dos que veem de fora, a Amazônia é uma enorme extensão verde salpicada de pequenas comunidades ribeirinhas. Nessa visão, a preservação das matas estaria garantida se o ‘povo da floresta’ tivesse boas condições de vida e não precisasse destruir o ambiente para se sustentar. Pois bem, o povo não está mais na floresta. Começou a sair de lá nos anos 70. Há quarenta anos, apenas 3,5% da população da Amazônia vivia em cidades. Hoje, são 73%. Só as áreas metropolitanas de Manaus e Belém abrigam, cada uma, 2 milhões de habitantes. E eles vivem em consições semelhantes (mas, em geral, piores) às dos cidadãos do resto do país. Para os que moram lá, o problema mais grave não é a devastação. São as favelas, o crime e o desemprego (preocupações idêncticas às de quem vive nas outras capitais do Brasil, com a agravante de que nortistas dispõem da pior infraestrutura. Na região que concentra 80% da água doce do país, falta água encanada. Em Rondônia, apenas 40% das casas têm acesso a esse serviço. A situação dos esgotos é ainda pior: somente 9,7% dos domicílios do Norte estão ligados à rede coletora. A média nacional é de 51%. Mais de 90% dos municípios não dispõem de aterros sanitários. O lixo é disposto a céu aberto ou despejado in natura nos rios.
[…] O isolamento é um dos aspectos mais cruéis da vida na Amazônia, onde 5% dos brasileiros se espalham por 60% do território nacional. Um terço dos amazônicos vive em áreas nas quais o estado não se preocupa em fornecer luz, água potável, serviços de saúde e escolas. Algumas localidades são tão remotas que nelas não há dinheiro, porque ele não serve para comprar nada. O comércio ainda é feito por escambo. Se precisar de um médico, um morador de Mapuá, em Marajó, terá de viajar vinte horas de barco para chegar a Breves, que dispõe de um pequeno hospital. Se o caso for mais grave, leverá mais doze horas de barco até Belém. Isso pode ocorrer até dentro de um município. Altamira, no Pará, tem distritos a 900 quilômetros do centro (mais distantes que BRasília e Belo Horizonte).
[…] É ingênuo pensar que a Amazônia será salva enquanto forem essas as condições de vida de quem mora lá. É necessário salvar também amazônidas. Seu passado prova que o descalabro atual decorre de uma longa estagnação econômica que começou com a crise da borracha. […] Há boas soluções de captação e tratamento de água das chuvas, o Amazonas reduziu em 70% os casos de diarreia em algumas comunidades. Há áreas que podem ser iluminadas com energia solar. As polícias do pará e do Amazonas podem trabalhar juntas para fiscalizar os rios e evitar que a cocaína chegue a Belém e Manaus. Essas medidas dependem do crescimento da economia local para ser universalizadas. Caso ao contrário, a população da Amazônia continuará entregue à própria sorte e a floresta, à destruição.
Acredita-se que a melhor solução é retirar essas pessoas da floresta para que não haja urbanização dentro da Amazônia. A população deve migrar para onde haja escolas e hospitais nas proximidades, e o governo deve sim ajudar esses seres humanos. É o dever do governo, até mesmo com a poio das grandes e médias empresas. Se fizerem, além de altruísta estarão promovendo a solução para salvar a floresta Amazônica.

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